A Culpa da Cristandade

Após haverem sido revelados os horrores do Holocausto*, foi levantada a questão: “Como isso poderia ter acontecido?”A chocante verdade é que o Holocausto foi o clímax de séculos de ódio e perseguição violenta, freqüentemente inspirados pela teologia cristã.

Sinto-me profundamente culpada como cristã, e também como alemã, pois desde a Idade Média os judeus foram impiedosamente mortos aos milhares, em cidades alemãs. Madre Basilea Schlink, a fundadora da nossa Comunidade em Darmstadt, Alemanha, em seu livro “Israel, O Meu Povo Escolhido”, escreve de maneira comovente como aqueles que atacam o povo de Deus, atacam a Ele próprio, pois Israel é a “menina dos Seus olhos” (Zacarias 2.8).

Considerando as atrocidades cometidas contra os judeus, em nome de Cristo, através de grande parte dos 2.000 anos de história do cristianismo, como podemos celebrar a passagem do milênio sem expressarmos primeiramente nossa profunda tristeza sobre o passado, num espírito de arrependimento? Pela nossa atitude e comportamento anti-cristãos temos envergonhado o Nome de Jesus, tornando-o ofensivo ao Seu próprio povo, os judeus… E assim, hoje é a nossa oração, que os cristãos em todo o mundo sejam inspirados a celebrarem o milênio com um culto de arrependimento, num espírito de unidade, reconhecendo nossa herança cristã comum.

Tirado de fontes históricas cristãs e judaicas, o assunto aqui contido é um breve resumo da horrenda história de conduta da cristandade para com os judeus, condutas essas que pavimentaram o caminho para o Holocausto.

Irmã Pista
Irmandade Evangélica de Maria, Darmstadt.

(Uma irmandade cristã internacional e interdenominacional).

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*Holocausto — Trágico e terrivel acontecimento durante a 2ª Guerra Mundial, quando 6 milhões de judeus foram exterminados nos campos de concentração da Alemanha e outros países da Europa, morrendo em câmaras de gás, por fuzilamento, fome e atrocidades inimagináveis.

Como Tudo Começou

Na Igreja Primitiva, os judeus e os gentios reuniam-se em volta de Jesus como um só corpo, tendo sido derrubada a parede divisória entre judeus e gentios. Eles eram um rebanho com um só Pastor. Mais tarde, a situação modificou-se. Um número maior de gentios entrou para a comunidade cristã, de maneira que a proporção de gentios para judeus cresceu de forma constante. Então, aos poucos, os judeus que ainda não haviam entrado para o rebanho cristão, já não eram mais encarados como irmãos na fé no único Deus revelado, mas sim como estranhos e até mesmo inimigos. A despeito de todas as dificuldades e lutas que surgiram, teria havido toda razão para os cristãos se manterem humildes e com uma disposição amorosa em relação aos judeus, já que deles recebemos a lei, os profetas e o próprio Senhor Jesus. Não é sem razão que o apóstolo Paulo nos exorta a não adotarmos uma atitude de superioridade em relação aos judeus, mas sim, permanecermos humildemente cientes de que os judeus são a raiz da árvore. Eles nos sustentam e não nós a eles, pois somente somos enxertados na oliveira (Romanos 11). Mas o maligno teve sucesso em afastar a Igreja Cristã dessa atitude humilde e fraternal, quando, para sua auto-glorificação, ela apropriou-se de todas as graças e promessas feitas á Israel, eliminando assim Israel da história redentora de Deus.

A Teologia e o Direito de Primogenitura Roubado

Foi depois da era dos apóstolos, que esses outros elementos de imaginária superioridade insinuaram-se para dentro dos ensinamentos cristãos roubando de Israel o seu Direito de Primogenitura. A assim chamada Carta de Barnabé (datada do fim do primeiro século ou do início do segundo), interpretou erroneamente o Antigo Testamento, reivindicando que ele só prefigurava Cristo e a Igreja, e que a Aliança de Deus com o Seu povo agora só é válida para os cristãos, mas os judeus a perderam para sempre.

Isto, e outras declarações idênticas contidas nas cartas de Inácio de Antioquia (70-107 DC), deu origem à teoria de que a Igreja é o Novo Israel. Mais tarde, o imperador Constantino declararia que a terra de Israel não mais pertencia ao povo judeu. Daquela época em diante, disse ele, ela pertencia à Igreja Cristã. Tudo isso não passa de Teologia de Substituição ou Teologia da Aliança em estado embrionário, recebendo um impulso especial entre os anos 1400 e 1700 e nos acompanha até hoje.

Após a destruição do Templo em Jerusalém (70 DC) e a Revolta de Bar Kokba, o judaísmo não desapareceu, mas ganhou nova vitalidade e influência. Conseqüentemente, o argumento de que a Igreja substituíra Israel, já não convencia mais. Além disso, como a luta entre cristãos e judeus, a fim de obterem mais convertidos entre os que eram pagãos, se intensificou, o judaísmo foi encarado como uma ameaça à Igreja. Para frustrar essa ameaça, a teologia cristã tentou criar um Jesus não judeu. Foram citadas as mais estranhas provas (desde a fé demonstrada por Abraão até a promessa dada à Adão), todas visando confirmar o argumento de que a Igreja não somente antecede Israel, mas é de fato, o “eterno Israel” (Tertuliano).

Os perigos de tal mentalidade tornaram-se evidentes no Terceiro Reich quando Hitler, buscando cativar os cristãos, promoveu um Cristo ariano e não judeu.

Além disso, os judeus foram acusados de deicídio (o crime de matar Deus). Embora Mateus 20.18-19 e Atos 4.26-28 claramente declarem que também os gentios foram culpados pela crucificação de Jesus, a teoria de uma culpa exclusivamente judaica tornou-se moda. As “tribulações foram justamente impostas sobre vós, pois matastes o justo” (Justino C. 100-165). Os teólogos cristãos do terceiro século, incluindo Hipólito e Orígenes, elaboraram bastante essa teoria que iria tornar-se dominante no pensamento cristão do quarto século.

Entrementes, como os cristãos “comuns” continuassem a misturar-se com os judeus ou até mesmo visitavam sinagogas, os líderes da Igreja, temendo perder o seu rebanho, aumentaram seus ataques verbais, de forma a inspirarem medo e repulsa ao judaísmo.

Crisóstomo (344-407), cujo nome significa “boca de ouro”, lançou contra os judeus acusações infames, como: “os mais miseráveis de todos os homens” – “libidinosos, gananciosos, avaros e pérfidos bandidos” – “assassinos inveterados, destruidores e homens possuídos pelo demônio” – “a devassidão e a embriaguez deu-lhes os modos do porco e do lúbrico bode” “pestes do universo” – “eles ultrapassaram a ferocidade dos animais selvagens, pois assassinam seus próprios filhos”.

Mas muito mais danosa foi a teologia desenvolvida por esse altamente respeitado Pai da Igreja, com referência à sina dos judeus como um resultado do seu deicídio. Para esse crime, sustentou ele, “não há expiação possível, nem indulgência, nem perdão”; o seu “odioso assassinato de Cristo” foi a origem de todos os seus infortúnios.

“Deus detesta vocês”. Estas palavras de Crisóstomo popularizaram o ódio contra os judeus durante séculos futuros. Assim, citando um historiador: “A doutrina cristã popular tem sido sempre a de que, qualquer pessoa, seja ela pagã ou cristã, que em qualquer ocasião tenha perseguido, torturado ou massacrado judeus, agiu como um instrumento da ira divina”.

Agostinho (354-430), um contemporâneo de Crisóstomo, embora mais contido, foi ambivalente. Enquanto reafirmava a atitude de Paulo de que temos um dever de amar os judeus, compartilhava o ponto de vista de outros Pais da Igreja, de que Judas era a imagem do povo judeu. Veio de Agostinho, a teoria de que os judeus são um povo do testemunho, destinado a viver como um testemunho tanto para o mal, quanto para a verdade cristã, mas que não deveriam ser mortos, pois como Caim, carregavam um sinal. “Deixem que vivam em nosso meio, mas os façam sofrer e ser humilhados continuamente” (Agostinho). A teoria do “povo do testemunho”, mais tarde foi por muitos mal empregada, como um pretexto para aumentar a miséria dos judeus, próximo a tirar-lhes a vida.

Da Teologia para a Lei

Depois que o cristianismo foi reconhecido oficialmente por Constantino, no século IV, a teologia foi transformada em programa de governo, e a sinagoga foi submetida a medidas repressivas. Sob o Imperador Justiniano I (483-565), muitas leis que protegiam os direitos civis e religiosos dos judeus foram abolidas e impostas restrições. Mais tarde, no sétimo século, com propósitos políticos, o Imperador Bizantino Heráclio impôs batismo forçado aos judeus, a fim de garantir a unidade no seu reinado. Esta prática foi repetida em vários outros lugares com resultados devastadores nos séculos seguintes.


A IDADE MÉDIA

Na sociedade medieval, o vínculo estreito existente entre a Igreja e o Estado, fez com que as sementes já espalhadas de anti-semitismo cristão, produzissem terríveis frutos.

As Cruzadas

O ano de 1096 deu início a um período de cruel e mórbido tormento, sem igual na história judaica em termos de duração: as cruzadas.

Grandes hordas mal organizadas de nobres, cavaleiros, monges, e aldeães com as palavras “Deus assim o quer” em seus lábios, enquanto partiam para libertarem a Terra Santa do muçulmano infiel – subitamente viraram-se contra os judeus… Um cronista, Guibert de Nogent ( 1053 – 1124), relatou que os Cruzados de Rouen diziam: “Desejamos combater os inimigos de Deus no Oriente; mas temos aqui, sob nossos olhos, os judeus, uma raça mais inimiga de Deus do que todas as outras. Estamos executando tudo às avessas”.

Aproximadamente um quarto a um terço da totalidade da população judaica da Alemanha e do norte da França, foi assassinada durante a Primeira Cruzada.

Em Jerusalém os judeus fugiram dos Cruzados, trancando-se na principal sinagoga, onde todos os 969 morreram queimados. Do lado de fora, os Cruzados, que acreditavam estar vingando a morte de Cristo, cantavam: Cristo, adoramos-te, levantando as suas cruzes, que usavam como Cruzados. Antes disso, um pouco mais cedo naquele dia, enquanto os Cruzados passavam sobre os corpos mutilados daqueles que haviam sido chacinados, Raymond de Aguilers, citou o Salmo 118.:

“Este é o dia que o Senhor fez; regozijemo-nos e alegremo-nos nele”. Os Cruzados tencionavam fazer de Jerusalém, uma cidade cristã.

Condenados à Servidão Perpétua

Durante as primeiras duas Cruzadas, os judeus alemães apelaram à Coroa por auxílio. Como compensação pela proteção real, eles foram transformados em “servos da Câmara Imperial”. Exigiu-se deles que pagassem enormes somas por esse privilégio, e assim os judeus tornaram-se uma fonte muito real da Receita da Coroa. Sendo eles propriedade do rei, podiam ser – e eram – comprados, emprestados e vendidos, como pagamento a credores.24Esse costume espalhou-se por outros países. Os líderes da Igreja justificavam essa situação teologicamente, com base no ensinamento dos princípios da Igreja, de que os judeus estavam condenados a uma servidão perpétua por terem crucificado Cristo.

Também outros fatores contribuíram para o aviltamento dos judeus. Barrados da maioria das outras profissões e das associações que admitiam somente cristãos como membros, os judeus foram virtualmente forçados a serem agiotas, sendo intrusos na sociedade feudal. Eles eram como uma esponja que absorvia o capital de giro do país, somente para serem periodicamente espremidos pelo Tesouro Público. Embora desaprovando os cristãos que praticavam a agiotagem, a Igreja fazia empréstimos com os judeus, a fim de construir catedrais e igrejas. A imagem negativa do agiota judeu foi mais tarde imortalizada nos personagens de Slylock, de Shakespeare, e de Fagin, em Dickens.

Infelizmente, a proteção pela qual os judeus pagavam tão altos custos, nem sempre se concretizava. Algumas vezes, motivos econômicos também estavam por trás do massacre de judeus. Por ocasião da Terceira Cruzada, um dos mais trágicos tumultos anti-semitas na Inglaterra, ocorreu em York.

Lá, os Cruzados antes de partirem para seguirem o seu Rei, saquearam as propriedades dos judeus, que fugiram para o castelo real onde foram sitiados pelos guerreiros – muitos dos quais, estavam em enormes débitos para com os seus perseguidos. O clímax foi atingido, quando uma pedra, atirada do castelo, matou um monge que tinha o costume de celebrar a missa do lado de fora do castelo todas as manhãs, e incentivar o povo a “destruir os inimigos de Cristo”. Quando os judeus viram a fúria dos sitiantes e sentiram que seu destino estava selado, mataram-se, degolando-se uns aos outros. Quando as multidões finalmente chegaram até à torre, os poucos judeus que restavam e que imploravam para serem batizados e libertos, foram massacrados. O total de mortos foi avaliado, com variações, entre 500 e 1500. Depois desta cena de carnificina, os atacantes convergiram para a catedral onde queimaram todos os arquivos das dívidas financeiras para com os judeus, que ali eram guardados.

Num escrito de 1135, intitulado: “Diálago entre um Filósofo, um Judeu e um Cristão” (Dialogue between a Philosopher, a Jew, and a Christian), o erudito francês, Pierre Abelard, põe na boca do judeu, as seguintes palavras:

Nenhuma nação sofreu tanto por Deus. Dispersados entre todas as nações, sem um rei ou governante secular, os judeus foram oprimidos com impostos exorbitantes, como se eles tivessem de recomprar suas próprias vidas todos os dias. O mau trato dado a um judeu, é considerado como um ato agradável a Deus. Tal aprisionamento, como é o suportado pelos judeus, somente pode ser considerado pelos cristãos como um sinal da mais profunda ira de Deus. A vida dos judeus está nas mãos dos seus piores inimigos. Mesmo dormindo eles são perseguidos pelos mais terríveis pesadelos. O céu é o seu único lugar de refúgio. Se eles desejam viajar até à cidade mais próxima, têm de comprar proteção com elevadíssimas somas em dinheiro, dos governantes cristãos que, na verdade, desejam a morte deles para que possam confiscar os seus bens. Os judeus não podem possuir uma terra ou uma vinha, pois não existe ninguém que possa lhes garantir segurança. Assim, tudo quanto lhes resta como um meio de sobrevivência é o negócio da agiotagem, e isso, por sua vez, traz contra eles o ódio dos cristãos.

Calúnia

Embora opondo-se à matança em massa dos judeus, o francês Bernard de Clairvaux (1090-1153), declarou que eles eram “uma raça que não tinha Deus como pai, mas sim, o demônio”. Seguindo o costume dos teólogos do seu tempo, ele havia tomado uma Escritura, (João 8.44), aplicando-a a todo povo judeu de todas as épocas. Séculos mais tarde, o líder nazista Julius Streicher, levou isto avante, recomendando “o extermínio desse povo, cujo pai é o demônio”.

Bode Expiatório

Um antigo exemplo da teoria do “bode expiatório” aconteceu em 1021, quando o Papa Benedito VIII executou judeus, culpando-os de um furacão e de um terremoto.

Quando houve a Peste na Europa (1347-1350), os judeus foram considerados responsáveis; dizia-se que eles haviam envenenado os poços de água. No sul da França, no norte da Espanha, na Suíça, Baviera, Renânia, Alemanha Oriental, Bélgica, Polônia e Áustria, acreditou-se na acusação e mais de 200 comunidades judaicas através de toda a Europa, foram destruídas. A extensão da tragédia pode ser melhor avaliada pelo número de 10.000 vítimas na Polônia – onde os judeus comparativamente escaparam com poucos mortos. Consideravelmente muito mais do que 10.000 foram mortos em somente três cidades da Alemanha (Erfurt, Mainz e Breslau).

Ritual de Assassinato

Com origem na Antigüidade, a acusação do “ritual de assassinato” foi primeiramente atribuído aos judeus pelos cristãos do século XII, na Inglaterra. Acusou-se os judeus de matarem crianças cristãs, freqüentemente antes da Páscoa, para fins rituais. Essas invencionices, conhecidas como “Libelo de Sangue” e que se transformou num culto às supostas vítimas, iriam pagar um tributo de milhares de vítimas, por toda a Europa. A história do pequeno Hugo de Lincoln, foi incorporada ao “Conto da Priora” (Prioress’ Tale) de Chaucer. Entre 1880 e 1945, a mentira do “ritual de assassinato” espalhou-se largamente no centro da Europa Oriental, tanto entre os Católicos Romanos quanto entre os Cristãos Ortodoxos Orientais. O jornal nazista “Der Stümmer”, apresentava regularmente figuras de rabinos chupando o sangue de crianças alemãs.

A Profanação da Hóstia

Uma acusação semelhante foi a de que os judeus profanavam os elementos sagrados da Santa Comunhão (a Hóstia), numa tentativa de crucificar Jesus uma segunda vez.

Em 1298, a acusação de profanação da hóstia, fez com que toda a população judaica de Rottingen fosse queimada. Seus atacantes continuaram com um massacre dos judeus por toda a Alemanha e também na Áustria. De acordo com as estimativas, 100.000 pessoas foram assassinadas e em torno de 140 comunidades judaicas dizimadas.

Em Praga, em 1389, um sacerdote carregando uma hóstia foi acidentalmente salpicado de areia por algumas crianças judias que brincavam. Em conseqüência disto, 3.000 judeus foram massacrados.

O Emblema da Vergonha

Em 1215, o IV Concílio de Latrão, conclamado pelo Papa Inocêncio III, decretou que, com base na passagem de Números 15.37-41, os judeus deveriam usar uma roupagem diferente (uma restrição também aplicada aos sarracenos, e mais tarde aos hereges, prostitutas e leprosos). Além disso, uma marca característica foi imposta para uso em suas roupas – séculos antes da estrela amarela dos nazistas – o emblema da vergonha, cuja forma e cor variavam de nação para nação. O emblema da vergonha fez dos judeus verdadeiros párias sociais, expondo-os a abusos tanto verbais quanto físicos.

Batismo Forçado

Esta expressão, significando batismo escolhido como uma alternativa entre a morte ou o exílio, tornou-se uma grande questão na Espanha Medieval. Em 1391, quando cerca de 50.000 judeus morreram em arruaças instigadas pela pregação de Ferrand Martinez, um arquidiácono de Sevilha, muitos números multiplicados por aquele foram batizados, inclusive muitos rabinos. Contudo, o batismo forçado criou um problema, pois muitos dos convertidos ainda praticavam a sua antiga fé secretamente, enquanto outros acomodavam-se por causa de vantagens pessoais; ambos os grupos eram chamados de “marranos”, que significa: “porco”.

Obsessão pela Pureza de Sangue

Na Espanha, o anti-semitismo, bem como o anti-marranismo, cresceram de maneira alarmante. Surgiu a noção de que o judaísmo hereditário ou “mala sangre” (sangue mau) era o problema; um problema que nem mesmo o batismo poderia alterar. Nasceu então o racismo espanhol, a obsessão pelo sangue puro.

Da mesma forma, o racismo foi a base do Parágrafo Ariano Nazista e das Leis de Nuremberg, barrando os judeus de qualquer cargo público e negando-lhes a cidadania alemã.

A Inquisição Espanhola

Em 1480, o Rei Fernando e a rainha Isabel da Espanha, estabeleceram um tribunal para expurgar a Igreja daqueles que clandestinamente apegavam-se à sua fé judaica. Seguiram-se prisões em massa. Em 1481, as primeiras vítimas foram executadas na fogueira. No decorrer dos anos, uma estimativa de 30.000 marranos foram entregues às chamas. A Inquisição Espanhola teve uma longa história (do século XV até o início do século XIX)49 e um vasto alcance geográfico, espalhando-se com todas as suas bem documentadas atrocidades até à América Latina.

Expulsões

Os judeus têm sido expulsos de aproximadamente todos os países onde têm residido.

Em 1290 os judeus foram expulsos da Inglaterra, 16.000 partiram para a França e a Bélgica, alguns morreram durante o caminho. Houve repetidas expulsões dos judeus da França e da Alemanha.

Fernando e Isabel expulsaram todos os judeus da Espanha em 1492, de maneira a consolidarem o seu reinado cristão. Muitos dos 300.000 refugiados escaparam para Portugal. Lá, foi-lhes permitido ficar por uns poucos meses, mas com um custo. Mais tarde foram temporariamente escravizados pelo Rei João II (1481-1495) e então – libertos pelo seu sucessor – foram brutalmente forçados a se batizarem.

Folias

Os sofrimentos dos judeus eram freqüentemente a atração das diversões que precediam a Quaresma. Na Roma medieval, o membro mais fraco da comunidade judaica era atirado nu num barril perfurado com longos pregos e rolado pelo morro abaixo, até morrer, enquanto seus patrícios judeus eram forçados a assistirem ao seu martírio. Na época da Contra-Reforma, os judeus de Roma, especialmente engordados para aquela ocasião, receberam uma saraivada de lama atirada pelas turbas – “como merecem os infiéis” – e eram forçados a correr nus pelas ruas onde estavam as diversões, debaixo do frio e da chuva gelada.

A Reforma

Martinho Lutero (1483-1546) originalmente favoreceu os judeus, com a esperança de que eles aceitariam a sua forma de fé, até mesmo louvando a sua contribuição para o cristianismo. Contudo, quando não conseguiu converter os judeus, a sua atitude modificou-se drasticamente.

Todo sangue aparentado com Cristo queime no inferno, e isto é o que merecem, mesmo de acordo com as suas próprias palavras, como falaram a Pilatos… Verdadeiramente, a existência desses judeus é uma coisa sem esperança, perversa, venenosa e diabólica, que durante 1400 anos tem sido, e ainda é, a nossa praga, tormento e infelicidade Eles são simplesmente demônios e nada mais.

No folheto “Com referência aos Judeus e as suas Mentiras” (Concerning the Jews and Their Lies) (publicado em 1542), Lutero escreveu:

Em primeiro lugar, suas sinagogas deveriam ser queimadas… Em segundo lugar, as suas casas deveriam ser destruídas e arrasadas… Em terceiro lugar, deveriam ser privados de seus livros de orações e do Talmud… Em quarto lugar, seus rabinos deviam ser proibidos de ensinar sob pena de serem mortos, se não obedecerem… Em quinto lugar, os privilégios de viagens e de um passaporte deveriam ser absolutamente proibidos aos judeus… Em sexto lugar, deveriam ser impedidos de fazerem agiotagem… Em sétimo lugar, que aos jovens e fortes judeus de ambos os sexos sejam dados manguais, machados, enxadas, pás, rocas e fusos e que eles ganhem o seu pão com o suor de seus rostos… Deveríamos expulsar os preguiçosos velhacos para fora do nosso sistema… Portanto, fora com eles… Para acrescentar, caros príncipes e nobres que têm judeus em seus domínios, se este meu conselho não lhes serve, encontrem então um melhor, de maneira a que vós, e todos nós, sejamos libertos desta insuportável carga diabólica – os judeus.

Num sermão pouco antes de sua morte, ele clamou pela imediata expulsão de todos os judeus da Alemanha.

Mais tarde, os ensinamentos anti-semíticos de Lutero seriam literalmente aplicados no Terceiro Reich.

Guetos

Os papas da Renascença haviam sido razoavelmente liberais em seu tratamento para com os judeus na Itália, mas, a Contra-Reforma, especialmente com o Papa Paulo IV (1555-1559) na liderança, trouxe uma brusca mudança de atitude. Na segunda metade do século XVI, foram introduzidos os guetos, primeiramente na Itália e depois, no Império Austríaco.

(Guetos – era o nome que se dava aos bairros de algumas cidades em que os judeus eram obrigados a morar. Viviam ali em muita pobreza, sendo oprimidos, perseguidos e às vezes sujeitos a regime de semi-escravidão.)

A ERA MODERNA

Na época moderna, o anti-semitismo cristão estava de tal maneira enraizado que moldava as atitudes das pessoas comuns, sem levar em conta a tradição cristã ou o segmento político.

O insulto “matadores de Cristo” continuava sendo proferido com veemência contra os judeus. Uma criança que, em 1921, fugiu com a sua família de Kiev para a Polônia, mais tarde se recordava da primeira frase em polonês, que lhe havia sido ensinada: “Os judeus mataram Cristo”.

Apanhados no Meio

A Polônia foi, durante um certo tempo, um refúgio para os judeus alemães fugindo das Cruzadas, da Peste e dos repetidos massacres. Mas em seguida, a situação ficou complicada por causa das relações entre a Polônia e a Ucrânia. Sendo cristãos ortodoxos orientais, oprimidos pelos católicos poloneses, os ucranianos se ressentiam principalmente com os intermediários judeus, atuando em nome dos detestados poloneses. Em 1648, quando os cossacos ortodoxos orientais da Ucrânia devastaram a Polônia, os judeus foram escolhidos para crueldades especiais.

Uma testemunha ocular relata:

Alguns eram esfolados vivos e suas peles eram atiradas aos cães, como carne. Outros eram feridos gravemente e depois atirados às ruas… Outros eram enterrados vivos. Bebês, nos braços de suas mães, eram apunhalados até à morte… Grande número de crianças judias eram atiradas à água, de maneira a nivelar melhor o vau.

Outras atrocidades são imencionáveis.

Durante a invasão sueca de 1655-1658, os judeus poloneses, por assim dizer, foram novamente apanhados dentro do fogo-cruzado. Eles foram atacados pelos russos, cossacos e suecos, cada um por sua vez, e depois que eles se foram, os próprios poloneses novamente os atacaram, sob a alegação de que os judeus haviam ajudado os invasores.

Na Polônia, de 1648-1658, talvez a mais sangrenta década da história judaica desde os tempos bíblicos, em torno de 100.000 a 500.000 judeus foram assassinados e 700 comunidades judaicas destruídas. Os refugiados fugiam em bandos para os outros países europeus.

Na Rússia, durante a guerra civil entre os exércitos Branco e Vermelho (1918-1920), os judeus eram atacados por ambos os lados – pelo Exército Branco, como revolucionários e pelo Exército Vermelho, como opressores burgueses.

Assimilação

No despertar da emancipação judaica em fins do século XVIII e no século XIX, o novo status dos judeus não foi bem-vindo por todos. Na Alemanha, o anti-semitismo tornou aspectos racistas, como reação ao movimento da assimilação judaica.

Em 1819, um panfleto foi tão longe ao ponto de propor massacres, castrações e consignação de mulheres judias à prostituição. Estes fatos levaram Graetz – que não era amigo do catolicismo – a declarar: “A teologia protestante e a filosofia germânica propuseram regulamentos contra os judeus, que não têm rival com as restrições canônicas de Inocêncio III e Paulo IV”.

O Caso Dreyfus

Quando na França, em 1894, um oficial judeu francês, Alfred Dreyfus, foi acusado de espionagem, desencadeou-se uma onda extremista de anti-semitismo – e isto num dos países mais civilizados do mundo, e o primeiro da Europa a conceder emancipação aos judeus. No fim, Dreyfus foi exonerado, mas não antes do caso ter escandalizado o mundo e balançado o governo francês, deixando um rastro de muita amargura contra os judeus. Um dos seus legados foi o regime de Vichy, que colaborou com os nazistas.

Opressão

Com a divisão da Polônia em fins do século XVIII, a Rússia tornou-se chefe da maior comunidade de judeus no mundo. Catarina II restringiu os judeus às províncias recentemente ganhas, agora chamadas “Âmbito do Estabelecimento” (“Pale of Settlement”). Ao mesmo tempo, ela convidou estrangeiros, excluindo judeus, a se estabelecerem na Rússia Central. Sob Nicolau I (1825-1855), a situação piorou para os judeus. O recrutamento militar começava aos 12 anos para os jovens judeus e podia ser estendido até os 25 anos. Eles eram enviados para regiões remotas. Qualquer método era empregado, inclusive tortura e abuso verbal, para fazê-los renunciar à sua fé e aceitar o cristianismo.

Depois da Rússia, a Romênia foi naquela época o maior opressor dos judeus. Sua população de 200.000 judeus, sofreu em condições similares àquelas dos dias mais sombrios da Idade Média.

Pogrôms (Massacre de judeus)

Durante o reinado do czar Alexandre III, o primeiro maior “pogrôm” começou na Páscoa de 1881 e espalhou-se a uma centena de comunidades judaicas. O conselheiro anti-semita do czar tencionava resolver o problema judeu fazendo com que um terço emigrasse, um terço morresse e um terço desaparecesse (ou seja: fosse convertido). Os pogrôms e conseqüentes emigrações em massa, continuaram sob o czar Nicolau II (1894-1917), que considerava os judeus como matadores de Cristo… Mesmo depois da II Guerra Mundial, aconteceram pogrôms na Polônia, apesar dos horrores do Holocausto e a grandemente dizimada população judaica.

Os Protocolos dos Sábios de Sião

Aparecendo pela primeira vez em 1905 na Rússia czarista, este livro de propaganda anti-semítica acusava os judeus de conspirarem para conquistar o mundo. Traduzido em muitas línguas depois da 1ª Guerra Mundial, causou um duradouro impacto no século XX, mesmo após ter sido desmascarado como sendo uma farsa, em 1921. Três edições tiveram ampla circulação nos Estados Unidos devido aos esforços de Henry Ford. Em 1922, o Ministro do Exterior judeu, da República Weimar da Alemanha, foi assassinado por dois fanáticos que imaginavam que ele fosse um dos “Sábios de Sião”. Na Alemanha nazista, a influência negativa do livro anti-semítico “Os Protocolos dos Sábios de Sião” chegou ao auge.

Nazismo

Embora o nazismo fosse anti-cristão, o anti-semitismo cristão tornou possível o Holocausto.

Hitler e os nazistas encontraram na legislação anti-judaica medieval católica, um modelo para si próprios, e leram e reimprimiram os violentos escritos anti-semíticos de Martinho Lutero. É bastante esclarecedor que o Holocausto tenha sido desencadeado pelo único dos principais países da Europa que tinha aproximadamente números iguais de católicos e de protestantes. Ambas as tradições estavam saturadas de ódio pelos judeus.

A Noite dos Cristais (Kristallnacht), em novembro de 1938, a noite em que as sinagogas foram queimadas na Alemanha, foi escolhida em honra do aniversário da data de nascimento de Martinho Lutero. Quando relatava os seus 16 passos do programa nazista, Hitler declarou: “Estou somente fazendo o trabalho da Igreja Católica”.

Uma situação constrangedora foi criada nas igrejas, quando judeus batizados, portando estrelas amarelas, apareciam para os cultos religiosos… Os representantes da Igreja Evangélica Luterana em sete províncias, invocaram os ensinamentos de Martinho Lutero, para declararem que racialmente, cristãos judeus não tinham lugar e nenhum direito numa igreja evangélica alemã.

Embora os cristãos, individualmente, dessem assistência aos judeus, a igreja oficial, em geral, não o fazia.

II Guerra Mundial

Mesmo em face dos horrores do nazismo em seu auge, muitos falharam para com os judeus em sua hora de maior necessidade. Séculos de anti-semitismo cobraram o seu tributo em vários países.

Num julgamento por crimes de guerra em 1958, um antigo ministro lituano (da Lituânia, perto da Rússia), foi inquirido por que ele permanecera em silêncio diante dos terríveis assassinatos a que presenciava. A sua resposta foi que ele acreditava que o versículo da Escritura estava sendo cumprido para os judeus: “Caia sobre nós o seu sangue e sobre nossos filhos”. Embora seja horrendo que esta Escritura possa ser usada para justificar tamanha desumanidade, pontos de vista semelhantes têm sido expressos por cristãos de outras nacionalidades.

Quando um embaixador do Papa foi requisitado para intervir nas deportações da Eslováquia para Auschwitz, considerando o sangue inocente das crianças judias, sua resposta foi: “Não há sangue inocente de crianças judias no mundo. Todo o sangue judeu é culpado. Vocês têm de morrer. Este é o castigo que eles têm aguardado por causa daquele pecado (a crucificação)”.

A Suíça fechou as suas fronteiras. Os rígidos regulamentos do Canadá e dos Estados Unidos impediram a entrada de muitos judeus naqueles países. O governo britânico descumpriu as suas promessas aos judeus, com referência a um país que lhes fosse um lar, (conforme estabelecido na Declaração de Balfour, de 1917), fechando as portas a milhares de judeus que buscavam asilo na Terra Santa durante e imediatamente após a era nazista. A tragédia do navio STRUMA, merece ser especialmente mencionada. Depois de ser mandado de volta de onde viera, o navio foi torpedeado no Mar Negro no inverno de 1942, dos 769 judeus que estavam a bordo, somente um sobreviveu.

Indiferença desumana

Tristemente, após 2.000 anos de cristianismo, esta é a acusação a ser posta à porta de virtualmente todos. De fato, se não tivesse sido pela vergonhosa passividade de quase toda a comunidade mundial às vésperas da II Guerra Mundial, Hitler não poderia ter levado avante o seu extermínio em massa dos judeus. Na conferência de Evian-les-Bains, na França, especificamente convocada pelo Presidente Roosevelt em julho de 1938 para ser discutido o destino dos judeus europeus, somente três, de cerca de 30 nações (Dinamarca, República Dominicana e Holanda) aceitaram receber uns poucos milhares de judeus. Os informantes nazistas relataram de volta a Hitler: “Pode fazer o que quiser com os judeus; o mundo inteiro não os quer.”

Um Chamado ao Arrependimento

O padre católico e historiador Edward Flannery, refletindo sobre o anti-semitismo cristão, observa:

É uma tragédia na qual Jesus participa, sendo crucificado novamente na pessoa do Seu povo, pela mão de muitos que foram batizados em Seu Nome. O pecado de anti-semitismo contém muitos pecados, mas, em última análise, é uma negação da fé cristã, uma falha da esperança cristã, e uma enfermidade do amor cristão. E não tem sido esta a suprema traição do cristianismo: que o povo cristão, a quem foi prometida a perseguição pelo seu próprio Mestre (João 16.2-4), não foi o povo mais perseguido da cristandade, mas, ao invés disso, foi o povo de onde Ele veio? E o máximo dos escândalos: que carregando o fardo de Deus na História, o povo judeu não encontrou nas igrejas cristãs um aliado e defensor, mas sim um dos seus mais zelosos difamadores e opressores? Esta é uma história que clama por arrependimento.

No mesmo espírito, Madre Basilea escreve:

Hoje tomemos nosso lugar ao lado de Jesus e olhemos para o Seu povo com os Seus olhos, cheios de amor e de misericórdia. Então nossos corações doerão ao ver este povo escolhido de Deus, vagando através dos séculos, desventurados, desprezados, enxotados, esquecidos e afligidos com dores, semelhante ao sofrimento do Servo de Deus em Isaías 53. Então, olhando para eles, nós nos lembramos dEle.

Leitura Recomendada:

Israel, O Meu Povo Escolhido, (Livro), de M. Basilea Schlink.

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Sugestões para um Culto de Arrependimento

© Evangelical Sisterhood of Mary 1997

Material de: Has the Church Fallen Under a Curse?, Our Hands Are Stained with Blood e The Anguish of the Jews foi usado com a gentil permissão dos respectivos editores.

Bibliografia utilizada neste artigo:

M.Basilea Schlink, Israel, O Meu Povo Escolhido, 1ª ed.brasileira, 1996, Curitiba, PR, Brasil, pp.29-30.

The Letter of Barnabas 4:6-7, “Apostolic Fathers”, p.195 conforme citado por Edward H. Flannery, The Anguish of the Jews: Tuenty-Three Centuries of Antisemitism, Paulist Press, New York/Mahwah, 1985

Transcrição de uma palestra de Olga Marshall (Conselheira de Pesquisa de Lydia), Swanwick, Inglaterra, Maio de 1997

Malcolm Hay: The Roots of Christian Anti-Semitism. Liberty Press, New York 1981, p.27, conf. Michael L. Brown. Our Hands Are Stained with Blood: The Tragic Story of the “Church” and the Jewish People. Destiny Image Publishers. Shippensburg, 1992

David Rausch. A Legocy of Hatred: Why Christians Must Not Forget the Holocaust, Baker, Grand Rapids, 1990, p.27 e Robert Payne, The Dream and The Tomb: A History of the Crusades, Dorset Press, New York, 1984. pp.102-103, conf. Brown

Petrus Abelardus, Dialogus inter Philosophum Judaeum et Christianum (PL.178:1617-18), conf. Flannery

Hans Kühner, Der Antisemitismus der Kirche, Verlag Die Waage, Zurique, 1976

James Parkes, “The Foundations of Judaism and Christianity”, conf. Dennis Prager e Joseph Telushkin Why the Jews? The Reason for Antisemitism, Simon and Schuster, New York, 1983, p.100, conf. Brown

Martinho Lutero, Concerning the Jews and Their Lies, reimpresso em Talmage, Disputa e Diálogo

Werner Keller Und wurden zerstreut unter alle Völker: Die nachbiblische Geschichte des jüdischen Volkes, Evangelische Buchgemeinde Stuttgart, Droemersche Verlagsanstalt Th. Knaur Nachf., Munique / Zurique, 1966

Eerdmans’ Handbook to the History of Christianity

Elezer Berkovits, Faith after the Holocaust, Ktav; New York, 1973

Prophecy Today, The Park, Moggerhanger, Beds., MK44 3RW, Inglaterra, Vol.5, N°l, Jan./Fev. de 1989, pp.12-13. Vide também None Is Too Many, p.32, e Martin Gilbert (autor de The Holocaust: A History of the Jews of Europe during the Second World War, Henry Holt, New York, 1985), em Final Journey: The fate of the Jews in Nazi Europe, Mayflower Books, New York, and George Allen & Unwin, Londres, 1979