Já há muito tempo enviamos folhetos de evangelização para missionários e amigos que trabalham no Amazonas, mas nunca tivemos uma oportunidade de conhecer pessoalmente esta parte do nosso grande Brasil. Nos últimos tempos, recebemos vários convites para fazer uma visita. Os missionários nos contaram sobre os problemas de depressão, alcoolismo, falta de identidade e o sofrimento entre os povos indígenas.

Existe uma longa história de épocas passadas de massacres dos índios, roubo das terras e poluição dos rios da parte de certos brancos que não valorizaram os índios. Sentimos um chamado de Deus quando veio o pedido – “Venham, ajudem-nos com o seu ministério de reconciliação!”.

Em setembro de 2003, fomos para Manaus e nos encontramos com outros irmãos na fé que tinham o mesmo desejo. Juntos fomos para uma tribo perto de Manaus com o pedido de perdão em nome dos brancos. Inicialmente os índios estavam receosos até que ouviram o motivo da nossa visita. Mas logo ficaram muito tocados com a solidariedade e o pedido de perdão, e nos convidaram para que voltássemos no futuro para ficar uma semana com eles! Mesmo pequena, esta reunião foi muito significativa para nós e esperamos poder realizar outros encontros futuramente.


Ato de Reconciliação

No mês de Setembro de 2004, Deus nos concedeu a oportunidade de participar do congresso CONPLEI (Conselho Nacional de Pastores e Líderes Indígenas) – tão importante para o nosso país. Como não-indígenas, fomos com a intenção para abençoar, ajudar e apoiar os nossos Irmãos Indígenas no trabalho de evangelizar os seus povos. Fomos também com o propósito de pedir perdão aos nossos irmãos indígenas pelas injustiças e sofrimentos que lhes foram causados pela raça branca. Todos que participaram desta viagem, foram ricamente abençoados. O nosso grupo era formado por 30 pessoas de várias igrejas.

Foi muito emocionante estar junto com representantes de 38 tribos indígenas, que vieram de tão longe – praticamente de todo o território brasileiro – para participar. Especialmente tocante foi um grupo de aprox. 40 crianças da tribo Caiuá, que cantavam em seu idioma e em português. Parecia realmente profético quando começaram a cantar “Sara, Senhor, nossa terra…” baseado em 2 Crônicas 7.14 :“Se o meu povo que se chama pelo Meu nome, se humilhar, orar e Me buscar, e se converter dos seus maus caminhos, então Eu ouvirei dos céus, perdoarei os seus pecados e sararei a sua terra.”. As crianças não sabiam, mas nos parecia que Deus estava confirmando nossa vinda, pois era justamente isto que viemos fazer.

Em preparação para o ato de arrependimento, lemos um livro da autora e pesquisadora Berta Ribeiro, “O Índio na História do Brasil”que nos tocou profundamente. Nunca imaginamos o sofrimento que os povos indígenas passavam aqui no Brasil! Começamos a orar sobre como poderemos divulgar estes fatos, pouco conhecidos aqui em nosso país – uma história de desprezo, perseguição e genocídio. Uma amiga nos ajudou reduzir o texto para ser mais fácil de ler, e o resultado é o livreto “A Culpa Histórica para com os Povos Indígenas”.

O ato de perdão foi reservado para a última noite do congresso. Pastor Patrick Reason expressou o pedido de perdão no início (veja foto). “Um povo que se acha superior a um outro está ele mesmo em perigo de destruição”. Dirigimos a nossa mensagem para os líderes indígenas e expressamos nosso pesar pela história de sofrimento causado aos indígenas, usando partes do livreto acima mencionado, trechos dos Salmos e um pequeno teatro dramatizando reconciliação que foi muito tocante. No final dos aprox. 40 minutos, Pastor Henrique Terena Dias, Presidente do CONPLEI e com ele toda a diretoria da organização, subiram no palco também, aceitou o nosso pedido, e expressou uma linda e tocante oração, realmente liberando perdão sobre as páginas de história tão manchadas com sangue. Os pastores indígenas e pastores brancos se abraçaram em caloroso gesto de amor em Jesus. Em Jesus há perdão, em Jesus há reconciliação.

Escreva-nos, solicitando um exemplar grátis do livreto “A Culpa Histórica para com os Povos Indígenas”.